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segunda-feira, janeiro 1

Lux-ismos


Nunca fui partidário de bloqueios à porta e listas de convidados mais restritivas que cerimónias oficiais do Estado. Cheira-me a elite e conflita com a minha pronunciada costela esquerdalha.
Estatuídos estes pontos prévios, só tenho pois de tirar o chapéu a Manuel Reis, apesar de tudo. Longe de criar uma porta fechada e elitista, o seu objectivo principal foi receber apenas um máximo de 2.500 pessoas, para evitar o acotovelamento de uma casa onde facilmente caberia o dobro, mas na base do "tudo ao molho" e "cabe sempre mais um".
Contra isso, nesta passagem de ano, o Lux levou ao extremo o controlo dos presentes, com convites numerados, pré-confirmações telefónicas em rede, listas personalizadas de nomes e bar aberto apenas ao whiskey patrocinador. Ao mesmo tempo, à porta, colocou o que faltou noutras festas: vários grupos de controlo que "despachavam" de facto as entradas e evitaram, assim, as desmotivantes filas de espera.
Como resultado, conseguiu-se a melhor noite feita por e para pessoas que alguma vez vivi, nos oito anos daquele espaço nocturno. Teenagers praticamente inexistentes, muita gente bem para cima dos 30, formalismos borda fora, homens e mulheres em doses iguais, irreverência sem "carnavalada", liberdade de movimentos e comportamentos, sorrisos rasgados, espaço livre para estar e espaço aberto para dançar.
Melhor ainda, sem a loucura da bebida grátis e dos milhares ao monte, aflitos para sorver o máximo possível de borlas enquanto dura a "mama", os bares tinham a rotação normal de um Sábado.
Muita, muita gente virtualmente divorciada da noite de Lisboa, como eu, teve a ocasião de estar com os seus presentes e rever vários dos seus ausentes. E a vontade, a energia e o prazer, por isso, de ficar em danças e conversas, até ao raiar do dia.
Quem sabe, sabe. E Manuel Reis e o Lux sabem-na toda. Melhor que ninguém.

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"Remember, remember, the fifth of November..."