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terça-feira, janeiro 9

Tubo Abaixo


Histórico, o dia de hoje. No Brasil, país orgulhosamente democrático, voltou a fazer-se... censura. E mostrou-se como pode, em democracia, alguma censura ser boa, legítima e pedagógica.
Cumprindo a determinação do Tribunal de São Paulo, os ISP brasileiros de rede fixa suspenderam o acesso ao YouTube, para evitar que os seus utilizadores pudessem continuar a aceder ao infame vídeo de Daniella Cicarelli dando asas ao cio, com o seu namorado, numa praia em Espanha.
Ao contrário de semelhantes obras cinematográficas feitas propositadamente em casa (nomeadamente por p**** portuguesas do social mais os seus cobridores da semana), a modelo brasileira viu-se apanhada em vídeo sem consentir, através do "trabalho" de um "paparazzi" que a perseguia.
Batalha judicial aberta e imagem mais que comprometida, a violentada Cicarelli lá conseguiu que a administração do YouTube removesse o vídeo, no ano passado. Mas o cujo voltou a ser disponibilizado por alguns utilizadores do sistema, desejosos de partilhar o estímulo libidinal ilegítimo com mais uns milhões de frustrados da virilha.
Para cortar o mal pela raiz, chega agora a sentença judicial - que afecta cerca de três milhões de utilizadores no Brasil. Os "justos" e os "pecadores".
Caricata que seja, a situação põe de rabo de fora a grande fragilidade do divertidíssimo YouTube: ser incapaz, até agora, de filtrar convenientemente 8e atempadamente) os seus conteúdos. Entre a maioria dos ficheiros legítimos e "próprios", continuam a grassar o porno, o difamatório e as violações grosseiras da privacidade e dos direitos de autor. A multiplicarem-se casos como o brasileiro, pode ser que o staff do YouTube se despache a inventar, de uma vez, os mecanismos de defesa e purga que devia ter previsto desde o seu nascimento.
Quanto à Cicarelli (como de resto todas as figuras públicas que o queiram ser), certamente terá aprendido que está muito mais exposta que o cidadão comum (já de si diariamente devassado, sem o querer) ao interesse, à maldade e à inveja. E que a melhor defesa da privacidade passa por fazer as coisas privadas em privado.

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"Remember, remember, the fifth of November..."