
Vidas, palavras, ideias e coisas - de dias e de noites - em ambiente (geralmente) citadino
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terça-feira, março 10
terça-feira, fevereiro 24
Pets R'Back

A 23 de Março, é finalmente lançado "Yes", o novo álbum dos Pet Shop Boys. "Love Etc" é o single de avanço e pode ser 'ouvisto' aqui.
Estruturais na minha adolescência, os Pet Shop Boys ganharam um ascendente ainda maior na idade adulta, quando este outro tema, "Miracle", ouvido em loop, me ajudou a sublimar a então recente morte da minha Sofia.
O novo single do novo álbum, que fala (ainda que com sardónica ironia) das vantagens da energia do amor sobre os sabores dos bens materais e da beleza física, é mais um bálsamo. E faz adivinhar um disco com a maestria habitual.
Já tive o prazer de os ver ao vivo, quase quase por acaso, em Nova Iorque. E por cá, tantos que são já os fãs e os anos de sucesso, para quando um concerto, em sala ou recinto dignos desse nome?
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terça-feira, fevereiro 10
segunda-feira, fevereiro 9
O material tem sempre razão...
Quando o vosso candeeiro de secretária pedir uma destas até 20 W...
... nunca lhe ponham uma destas com 40!
a
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sexta-feira, fevereiro 6
Estados gripais

Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragatoas
Vinho com mel
Três aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Tigres sem listas
Bodes de tranças
Choros de corujas
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
À cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão de ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sozinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
"Todos os homens são maricas quando estão com gripe"
António Lobo Antunes
quarta-feira, janeiro 28
Já chega, não?

Motivacional e adaptável a qualquer circunstância (qualquer um de nós pode encher de significado pessoal uma expressão vaga que não tenha substrato), a nefanda frase "Yes We Can!", o primeiro legado objectivo de Obama, já não pode ouvir-se.
Ou, particularizando, já não posso ouvi-la. Nem vê-la, porque se multiplica em ícones, ID's, blogues, sites, pins, roupa, banners e o mais que se quiser.
Muito menos por cá no rectângulo. Até porque não será a repeti-la como mantra, com dinâmica e aspecto de esquilos em ecstasy, agarrados ao desfiar de um terço virtual, que a coisa vai funcionar milagrosamente, no meio dos nossos desmoronamentos sociais e económicos.
Dizer é fácil. Fazer, isso, são outros quinhentos...
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quarta-feira, abril 16
R.I.P.

a
Morreu hoje, um mês depois de entregar as chaves do Cinema Quarteto, que fundou. Pedro Bandeira Freire deixa saudades, muitas. E deixa também mais fortes as suspeitas de que o desgosto mata sempre. Aos bocadinhos ou com uma rapidez assustadora.
segunda-feira, abril 14
Parar, escutar, olhar e pensar

Acontecimentos das últimas 72 horas fazem-me pensar que engolir civilizadamente um sapo pode ter a vantagem - nada desprezível - de tirar-nos um elefante de cima...
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quinta-feira, abril 10
terça-feira, abril 8
A "folha" em branco

Tão emocionantes quanto assustadores, a responsabilidade e o prazer de ter uma música virgem diariamente nos meus auscultadores, com o objectivo final de criar-lhe uma letra, para um disco que será também habitado por palavras de gente como Paulo de Carvalho ou João Afonso. São desafios como este que dão mais sabor à vida e ao exercício da arte de escrever.
quarta-feira, abril 2
ZzzzZzzz... Hum?
domingo, janeiro 13
Cagando e Andando

Os tempos modernos estão difíceis. Tão difíceis que até as pessoas mais insuspeitas parecem enlouquecer de vez, sucumbindo às suas frustrações e desequilíbrios. Noutros tempos, procuraria justificações para estes afastamentos ensandecidos - quanto mais não fosse, por toda a "água que correu por baixo da ponte". Hoje em dia, opto por simplesmente fazer um risco por cima das memórias e um delete da agenda. Afinal, todas as perdas se tornam muito relativas, especialmente quando a idade nos leva a pachorra e o interesse para tentar perceber ou aceitar a loucura de quem foi por outros mundos...
aa
quarta-feira, janeiro 9
quarta-feira, janeiro 2
Cruzes, Canhoto!

Mal estará de facto o país, se a população ficar também muda e queda, desta vez perante a mais recente afronta deste governo, a tentar "democraticamente" apagar a nossa História. A tentativa, de tão torpe, badalhoca e vil, precisa de um imediato arregimentar de espadas. Não é tempo de dar a outra face.
É tempo de mostrar que isto é motivo para católicos e católicas sairem à rua, mostrando que há fronteiras.
Mostrando que somos milhões e que estamos a ficar cansados de tanto abuso, de tanto fundamentalismo laico num país que se fez e cresceu pela via católica. Não estamos em tempos de mansa concórdia, até porque claramente se vê que a "liberdade religiosa" e a "laicidade do estado", conforme defendidas por este governo y sus muchachos, só têm um alvo a abater: a Igreja Católica. Estamos em tempos de defender o que nos é sagrado, e o jogo de palavras é propositado.
Se há alturas em que é preciso dizer a este governo BASTA!!!, esta é uma delas. Mesmo que tenha havido muita pressa em dizer que não é bem assim, quando rapidamente se concluiu que se calhar o melhor era mesmo não acordar o vespeiro latente de um país cada vez mais à beira de um ataque de nervos.
a
terça-feira, janeiro 1
Smoking / No Smoking

Uma "pequena minoria" de 20% da população portuguesa fica, a partir de hoje, legalmente conduzida à condição de pária. Com o estatuto de contribuinte especial, já que a nova Lei do Tabaco é cobarde a ponto de não prescindir do dinheiro das taxas pagas pelos fumadores, a cada maço.
Entende o legislador que o fumo prejudica gravemente a saúde, mas não deixa de lamber os beiços com o dinheiro pago em impostos por quem fuma. Na prática, os sanitaristas entendem que estão provados os malefícios do tabaco, mas não se arriscam a pura e simplesmente proibi-lo e ilegalizá-lo de vez. A isto chama-se, na minha terra, hipocrisia grosseira.
No entanto, as vantagens da nova lei para alguém como eu, um dos fumadores que não quer nem vai deixar de fumar, são óbvias: uma vida cada vez mais centrada em casa, tanto no campo do trabalho (benditos acessos internet ao escritório e bendita a posição de patrão...) como na vida social, com muito mais jantares e copos na humilde e muito privada "casa dos espelhos", onde a PIDE sanitária não entra.
A modernidade trata do resto: cada vez menos é preciso entrar em estabelecimentos de todo o tipo, desde os restaurantes aos centros comerciais, passando pelos cinemas, porque tudo se pode comprar online e mandar trazer a casa. Como em tudo na vida, é apenas uma questão de ajustar hábitos. E - claro - deixar de frequentar e gastar o nosso dinheiro em todos os sítios cujos proprietários não lutaram a tempo para continuarmos a ser acolhidos.
P.S. - É a esse título ridícula, por tardia e acobardada, a petição que algumas discotecas deitaram esta noite à circulação, tentando seduzir clientes para que assinem a favor de mudanças à legislação, permitindo aos donos de estabelecimentos de diversão nocturna escolher se querem ou não ser espaços para fumadores. A nova lei, agora em vigor, esteve meses infindos a escrutínio prévio - e houve todo o tempo para protestar contra ela e fazer por alterá-la. Assim houvesse "tomates".
a
segunda-feira, dezembro 31
Feliz Ano Novo
Foi assim, mais um ano que passou.
Mais um ano para viver até o que não se quis.
Mais um ano em esperança para ser feliz.
Mais um ano em que tudo ou nada mudou.
Mais um ano para viver até o que não se quis.
Mais um ano em esperança para ser feliz.
Mais um ano em que tudo ou nada mudou.
Para todos e todas aqueles e aquelas que em 2007 continuaram na minha vida ou nela entraram, com a força da amizade e do amor. Para todos e todas aqueles e aquelas que não conhecem "nem longe, nem distância".
domingo, dezembro 30
O Fim da Mama

Concluído o seu ano sabático de glória fácil à frente da presidência da União Europeia, José Sócrates tem agora a ingrata tarefa de voltar a comandar os destinos da ridiculamente auto-proclamada "West Coast of Europe", voltando a sujeitar-se ao escrutínio diário, ao enfado maior de ter de prestar contas, responder a perguntas nacionais e assistir a manifestações em crescendo de um povo endividado, desempregado e frustrado, quase para lá de alívios e em rota acelerada a caminho do desespero.
Depois de meses a fio de ilusões de grandeza europeia, durante os quais o país real ajoelhou ainda mais, o regresso à liderança diária do Portugal dos pequeninos é, só por si, um bom castigo. Em 2007, o pântano nacional alargou, estagnou e ficou ainda mais fétido. As melgas e mosquitos vão, por isso, picar como nunca o governo e o seu líder. Não mata, mas mói. E ainda bem.
a
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sexta-feira, dezembro 21
Sinais de Luz
Agradam-me muito, mesmo andando arredio de quaisquer formas de fé (ou talvez por isso mesmo...), os sinais positivos que a vida nos coloca, à frente dos passos. Preparando-me já para um Natal com mais tristezas que devia, fui ontem surpreendido por este objecto, prostrado no passeio.
Alguém terá deixado cair ao chão esta pequena árvore de Natal de pendurar - e estava destinado que eu a visse e recolhesse. Para fazer agora parte das decorações de quadra, em minha casa, na qualidade de prova visual da existência de pequenas luzes, em forma de coincidência...
a
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quinta-feira, dezembro 13
O Clister Adiado

Com a aprochegação do fim do ano e os balanços que habitualmente se promovem, apenas constato, neste momento, o que deveria ser óbvio - mas não é. O desemprego sobe. A educação desce. O Norte está a saque das máfias. Lisboa a saque dos políticos e dos interesses corporativos. O Alentejo perdeu a eira e a beira. O ALLgarve, bom, é o que se sabe e o que se vê. Na Madeira, reina incólume a versão suavizada de Jabba the Hutt.
Na nova campanha para promover a imagem do rectângulo, os pontas-de-lança são a Mariza do costume, um miúdo que dá pontapés na bola e faz festas com putas e um treinador de futebol que se auto-intitula "o special one".
Professoras cancerosas têm de ir queixar-se à televisão para lhes ser reconhecida a doença incapacitante. O armazém onde estavam armazenados alimentos para uma festa de Natal com cidadãos sem-abrigo da capital foi assaltado.
As câmaras municipais estão a endividar-se à banca para pagar as dívidas aos fornecedores. As greves duram apenas um dia, encostado aos fins-de-semana, não se sabe bem para quê a não ser estorvar quem trabalha, com os governantes a rir-se delas. Alguns polícias que disparam em legítima defesa ou no exercício das suas funções são crucificados. Outros polícias estão na caça à multa um quarteirão abaixo de verdadeiras batalhas campais entre criminosos e desordeiros.
Há alunos a mutilar impunes os carros dos professores. Há professores agredidos pelos pais desses alunos. Há alunos a ter aulas em salas de gelo. Há velhinhos a morrer em casa na solidão do frio e a dar sinal de vida, à vizinhança desatenta, apenas quando o cheiro a podre fica "estranho".
Há a total impunidade dos poderosos e a total impotência dos outros. Há criancinhas a exigir bens materais aos pais que estão impedidos de sovar a ganância porque parece mal. Há faculdades a ejacular licenciados que já nem a restauração ou a limpeza de escadas conseguem absorver. Há corruptos e corruptas a rir-se da Justiça, enquanto continuam a fazer favores e a depauperar o erário público ou a fugir aos impostos.
E há todo um povo, depois, a quem nada importa desde que haja novelas, futebol, gajas boas, tricas dos famosos e uma mini com tremoço. A geralíssima e esmagadora maioria dos rabos portugueses está tão servil e agachada, com nádegas tão indiferentes e calejadas, que já não vai ser acordada só com uma palmada de aviso.
Daqui para a frente, menos que um clister diário será esforço e recursos deitados à rua. Porque as entranhas do Portugal de hoje não são capazes, por si só, de expelir toda a merda acumulada.
a
sexta-feira, dezembro 7
Vidas Ameaçadas
País pequenino, merdoso, "uma coisa em forma de assim", para nos envergonhar a todos, quando instituições como a linha telefónica SOS Voz Amiga, prestes a completar 30 anos de existência, não podem comemorar a data como tão bem merecem. E não podem comemorar a data porque lhes paira, por cima, cada vez mais real e ameaçadora, a falta de apoios, de fundos oficiais, de voluntários(as) e de um espaço compatível condigno, havendo mesmo o risco de não só não poderem voltar a alargar o horário de atendimento às madrugadas, como terem de abandonar as actuais instalações.

Depois de mais de dois anos a ajudar a Raríssimas com o meu trabalho, esta será, assim, a minha próxima causa: comunicar a credibilidade e a importância do Centro SOS-Voz Amiga, um serviço de ajuda pontual em situações agudas de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio. E encontrar-lhes novos apoios.
21 354 45 45 - Diariamente das 16-21h
800 20 26 69 - Gratuito das 21-24h
91 280 26 69 - Diariamente das 16-24h
96 352 46 60 - Diariamente das 16-24h
O serviço de apoio telefónico prestado pelo Centro SOS Voz Amiga também depende das constribuições financeiras de particulares e empresas, que constituem verbas abatíveis em sede de IRS e IRC.
Os donativos podem ser depositados na Caixa Geral de Depósitos (NIB 0035 0697 0021 5459 63254) ou através de cheque ou vale postal para a seguinte morada:
Liga Portuguesa de Higiene Mental
Largo de Andaluz, n.º 15 – 7º Esq.
1050-004 Lisboa
a
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