Vidas, palavras, ideias e coisas - de dias e de noites - em ambiente (geralmente) citadino
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domingo, março 8

A grande falta de paciência



E não se pode exterminá-los? É que a coisa só teve alguma piada, e mesmo assim ronça, por alturas da primeira vez em que fomos brindados com os dislates do candidato Vieira...

sexta-feira, janeiro 18

Gargantas Fundas



A semana animou-se com os ecos de um "pedido" do governo, que incita os utentes a apresentar reclamações sobre os preços dos seus ginásios, enviando-as por e-mail para certo e determinado endereço (que não reproduzo por motivos óbvios) da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto .

A coisa surge na sequência de o actual governo ter baixado o IVA para as actividades desportivas, sendo que a esmagadora maioria das empresas e entidades beneficiárias não fez aparentemente reflectir essa baixa junto dos clientes. Ou seja: muitos ou quase todos os ginásios e similares ou aparentados* "abotoaram-se" à receita e não baixaram (ainda?) os preços ao consumidor.

Veio agora, assim sendo, o secretário de Estado, Laurentino Dias, informar que os utentes podem "reclamar" para os seus serviços: "Transmita-nos o que acontece com a sua factura e nós iremos tratar desse assunto como merece ser tratado", disse o governante.

Apressaram-se a surgir, em consequência, as mensagens de público 'anónimo' das mais diversas proveniências, nas quais somos instados, uma vez mais, a fazer todas as denúncias. Mesmo que os promotores nunca tenham feito exercício físico sistematizado e pago, em estabelecimentos apropriados. Em Portugal, de facto, há sempre um delatorzinho de bolso à espreita, dentro de cada um de nós...


* A redução da taxa de IVA de 21 para cinco por cento abrange todas as actividades desportivas, nomeadamente ginásios, escolas e aulas de actividades desportivas como aulas de judo, natação, ténis e outras, realizadas em escolas e associações.

quinta-feira, janeiro 17

Valha-me Santo Ambrósio...



Quando nos surge uma notícia intitulada “Artistas portugueses de primeiro plano preparam regressos” e depois lemos que esses artistas são DaPunkSportif, Dealema, Gomo, Linda Martini, M.A.U., Mercado Negro, Vicious 5, Nigga Poison, Orangotang, Moonspell e Rádio Macau, ficamos... (bem, pelo menos eu fico)… confusos. Muito confusos.

Qualquer coisa que seja referida como “de primeiro plano”, sejam artistas, sopas de beldroega, empresas, políticos ou máquinas de lavar, entre outros, é coisa que será por 'todos' admirada, aplaudida e/ou consumida ou, no mínimo, por 'todos' conhecida.

Ora, que me desculpe(m) o(s) autor(es) da notícia mas, neste caso, dos 11 nomes indicados, os únicos que podem sequer arrogar-se alguma proximidade ao “primeiro plano” da música nacional são os Moospell e os Rádio Macau. E mesmo assim, com algumas reservas.
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Não está em causa o mérito dos restantes, mesmo que alguns deles sejam, artisticamente, de somenos. Ou que ainda precisem de comer muito espinafre até criar músculo para chegarem ao dito patamar cimeiro. Esta é, claro, uma opinião pessoal que vale o que vale e que não é, certamente, a mesma dos seus fãs. Seja como for, na verdade dos factos, a expressão “artistas portugueses de primeiro plano” apenas se lhes aplica, no caso concreto em análise, na cabeça de quem escreveu a notícia...
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quinta-feira, dezembro 20

"Se fosse eu a mandar..."



A sanha higienizadora e pidesca dos fundamentalistas anti-tabaco continua a mostrar-se um pouco por todo o lado. Voltei a tropeçar nela no Arrastão, de Daniel Oliveira, a propósito deste post, no qual o autor apela aos seus leitores para lhe enviarem nomes e moradas de restaurantes, bares e discotecas onde se possa continuar a fumar, depois de 1 de Janeiro de 2008.

Para cima da ideia (um futuro roteiro de smoking areas, útil a quem fuma e não quer deixar de o fazer), na caixa de comentários, saltaram de imediato as aves de arribação do costume, com aquela mística salazarenta de quem rosna contra os "perigos" da divulgação desses sítios onde o fumo do cigarro continuará a ser possível, mesmo que em condições muito restritas e concretas.
"Eles", que garantem a pés juntos nunca vir a pôr os pés nesses antros de vício, nessas "ilhas" de liberdade condicionada para quem fume, vão mais longe e insurgem-se contra a sua existência, prevista da Lei que os próprios aplaudem (embora apenas na parte que lhes interessa, claro...).
É fácil encontrar estes seres nestas causas, muito terra-a-terra, como o cão do caçador, que "não come nem deixa comer". "Eles" jamais irão a esses restaurantes, bares e discotecas e nem aceitam que esses sítios estejam lá, para quem legitimamente os procure.

É fácil, a certos portuguesinhos, atacar a liberdade dos vizinhos do lado, os "normais", os "não-poderosos". Percebe-se: custa muito defender causas sociais fracturantes. Dá muito trabalho apoiar causas beneméritas relevantes. E é muito arriscado agitar bandeiras contra (nomeadamente...) grandes corporações empresariais e/ou políticas governamentais que atacam direitos, liberdades e garantias fundamentais.

Em todos nós, de resto, há um ditadorzeco de trazer por casa, poucochinho e onanista, básico e primata, pronto a alardear barbaridades do género "o mundo só será um bom sítio para se viver quando todos pensarem e agirem como eu quero". Infelicidades do genoma humano, nascermos todos com esta coisa tão baixa cá dentro; e desgraçadamente tão cheia de potencial de crescimento...

Os cidadãos aprendem a amordaçar esse fantasma ditatorial de onde despontam os Hitlers de pacotilha, mais cedo ou mais tarde, quando e se os deixamos. Os "mandadores", esses, deixam sair o seu fantasminha do bolso, com rédea solta, sempre que a frustração do dia-a-dia lhes racha o verniz, com o rasteiro "se fosse eu a mandar..." prontinho a saltar da boca.
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domingo, dezembro 16

A Ortografia da Merda



Circula já na net uma petição contra a nojeira sem vergonha que é mais um passo (protocolo modificativo) a caminho da consolidação do tristemente famoso "acordo ortográfico", com o objectivo claro de esfrangalhar o que ainda vai sobrando da dignidade do Português de Portugal.

Recomenda-se a assinatura da mesma a todos(as) aqueles(as) que ainda não estejam na disposição de entregar a sua língua pátria ao desvario da bitola baixa dos governantes e ao delírio de alguns "estudiosos". Porque o Português de Portugal, falado e escrito, não é para mudar por decreto. Nem muito menos para ser dado de bandeja, embrulhado em papel pardo e barrado em cocó de cão.
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terça-feira, agosto 21

Importâncias



Gosto muito de Kylie Minogue. Tapada, descapotável, calada, a cantar, na fase pirosa, na fase elegante. Sempre gostei. O que não gosto é dos seus assessores, ou das suas "fontes próximas", que vieram afirmar que a super-estrela australiana está a ponderar retirar-se da música já no próximo ano, para «dedicar-se ao que considera realmente importante».
Ora, 'a mim me parece' que a cantora - e mais seja quem for do mundo do espectáculo - pode escolher livremente, sem dramas nem constrangimentos, a altura de 'sair'. O que não deve é ter gente a falar por si, indiciando que a carreira não foi/é "realmente importante".
Se Kylie Minogue (e todas as estrelas que escolhem a reforma antecipada) pode retirar-se descansadinha da vida, para tratar da sua saúde, dos seus pedaços e da sua família, isso só acontece porque milhões de fãs, por todo o mundo, passaram anos a fio a comprar-lhe os CDs, os DVDs, as roupas, os perfumes, o merchandising e os bilhetes dos concertos.
Foram os fãs que a tornaram milionária, com dinheiro mais que suficiente para ter um resto de vida descansado. E - já agora - para pagar a profissionais da imagem e das relações públicas que não lhe desconsiderem os fãs - os mesmos, afinal, que transformaram Kylie Minogue numa artista "realmente importante".
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sábado, julho 14

SudAmerica

A qualidade...


(Susana Baca)

... e a cualidade.


(Shakira)
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"Remember, remember, the fifth of November..."