Vidas, palavras, ideias e coisas - de dias e de noites - em ambiente (geralmente) citadino

sábado, fevereiro 23

Música Negra: 3 décadas, 3 maneiras de dançar

70’s


80’s


90’s

sexta-feira, fevereiro 22

Salmonela Legislativa

Geleia de marmelo. Totalmente caseira e não-licenciada mas, ainda assim, vendida em estabelecimento de restauração legalizado e afamado, ali para as bandas do não-digo-onde, porque há que proteger as coisas boas da perseguição da bufaria sanitarista. Sem rótulo e sem indicação de validade. Já sucumbi ao prazer de deglutir cinco legítimíssimas bolachas goumet do Pingo Doce pinceladas com esta iguaria que (so sorry, mother...) nada fica a dever, em sabor e consistência, à geleia feita pela progenitora, quando tinha saúde para andar à volta dos tachos.
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48 horas depois, ainda não morri, não sofri desarranjos intestinais nem sequer uma ou outra pintinha cutânea rosada, como quem diz "vais ter uma alergia". É capaz de ser natural. Se andamos, há anos, a comer num certo restaurante, sempre comemos do bom e do melhor e nunca tivemos um achaquezinho que fosse de saúde, porque haveríamos de não confiar e comprar um boião de doce caseiro feito pela cozinheira do dito estabelecimento? A vida tem destas coisas: nas relações humanas, mesmo que comerciais, há sempre a possibilidade de confiar nos outros. Afinal, poucas serão as expressões de liberdade tão rotundas e sem arestas como esta.
Na tutela das relações humanas, a Lei deve estar particularmente atenta (e ter regulamentação específica para ser aplicada, de forma certa e célere, pelas instâncias competentes) quando se trata de reparar os danos sofridos com a quebra da confiança. Ou seja, nomeadamente permitir-me exigir reparação adequada e proporcional, se a geleia estiver estragada. Só. Ponto final.
Em democracia, não pode ser o Estado a decidir, mandando, o que podemos ou não comer, fazendo terra queimada do princípio do bom senso do "homem médio". Em casos como o da geleia de marmelo "ilegal" - e tantos outros similares - a coisa fia, aliás, fino. Faço parte de uma geração que cresceu com saúde a comer queijo flamengo a granel, cortado à faca na mercearia, quando as máquinas fatiadoras e as luvas de latex sem sequer eram sonhadas. O mesmo para a marmelada. Hoje, admito que a coisa não era, de facto, o melhor da higiene. Mas não foi por isso que a minha geração e as precendentes sucumbiram à salmonela.
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Por isso, aqui fica o retrato da minha deliciosa geleia de marmelo, por esta altura já totalmente deglutida, com prazer e sem sequelas. À saúde da ASAE e de todas as novas, actuais e futuras, polícias dos costumes, mai'los seus exageros ridículos que cada vez têm menos graça (se é que alguma vez a tiveram).
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quinta-feira, fevereiro 21

Pipocar



Se há uns anos me dissessem que ia tudo acabar assim, não acreditaria e faria piruetas para desmentir. Mas, hoje, concordo que o cinema visto em sala fica bem melhor com picocas (doces)...
Sempre discretamente, sempre em salas multiplex, sempre em filmes mais "comerciais" e sempre nas sessões da meia-noite, é verdade... Mas assumo-me, não sem algum rubor facial, como mais um dos convertidos aos prazeres reais da mastigação em frente ao grande ecrã.
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quarta-feira, fevereiro 20

Três Vezes Nada



Três anos passam, hoje. Três anos de um país ainda mais acocorado à tristeza, à cegueira, à asfixia, ao autismo, à arrogância.
Um dia bom para contar uma história que boca idónea me fez saber: um pequeno empresário da construção civil fez trabalhos para o Estado. Trabalhos baratos mas, ainda assim, demasiado caros para poder ser suportados por uma pequena empresa.
Como (ainda) não lhe foram pagos, o homem deixou, a dado passo, de poder cumprir os compromissos de impostos e segurança social. Viu os seus bens penhorados e a empresa fechada. E vê agora a sua casa de família levada a leilão executório.
Como a "justiça" tributária é cega, a casa está a ser vendida apenas pelo preço que corresponde ao remanescente da dívida - um terço do seu valor real. Uma família honesta e trabalhadora (onde já houve até entretanto tentativas de suicídio) está, assim, a ponto de ficar na miséria e debaixo da ponte por causa de dívidas a um Estado que a tudo deu origem, ao não pagar a sua própria.
Num país onde tamanha canalhice possa ser possível e onde a "máquina" tudo tritura, a democracia é uma miragem. E não há razões para celebrar um governo que permita este (e milhares de outros) estado de coisas.
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terça-feira, fevereiro 19

'Sentante' Portátil


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segunda-feira, fevereiro 18

"It's Raining Again"



É um dos poucos prazeres gratuitos que sobra (para quem gosta): aguardar pela chegada do João Pestana, no quentinho da cama, com o ruído da chuva lá fora. Esta noite foi um desses casos - e resultou-me num sono tão reparador quanto há muito não conseguia.
Depois acorda-se de manhã e descobre-se para onde fugiram os pesadelos que não nos incomodaram na cama. A realidade fica à vista, na Grande Lisboa e em 'Lisboa Cidade': fornecimento de gás interrompido, lojas e casas inundadas, vias cortadas, caos no trânsito, mortos na enchurrada e as insuficiências no socorro e assistência a pessoas e bens (uma vez mais, uma vez mais...) postas a nu.
É assim todos os anos. Se fosse em Londres, Madrid, Paris ou Nova Iorque, aposto que a população ficaria igualmente resignada, suspirando que "é a vida..." Concordam comigo, não concordam?







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domingo, fevereiro 17

Cinema com C maiúsculo



Na corrida que se tenta sempre fazer para 'apanhar' os candidatos ao Oscar, antes da cerimónia já a 24 deste mês, chegou finalmente a vez de conseguir pôr os olhos em cima de "Atonement - Expiação".
Vale o que vale, mas confesso que há muito tempo que não tinha o prazer de ver um filme globalmente tão bom. Curiosamente, não sinto que as interpretações se destaquem a ponto de estatueta. Nada vi, nesse campo, de outstanding (descontando os escassos e delirantes minutos finais, com a veterana Vanessa Redgrave quase olhos nos olhos com a câmara), ainda que o casting esteja mais que perfeito.
Apesar disso, não consigo deixar de pensar que as estatuetas de Melhor Filme e/ou de Melhor Realização não ficariam nada mal empregues aqui. Ah, e o mesmo para a banda sonora original.
Odeio os usos gratuitos da palavra "fabuloso", mas é qualificativo que cai como uma luva no trabalho do italiano Dario Marianelli. Não há um compasso, uma nota, uma irreverência fora do sítio - e as imagens ficam ainda mais esplendorosas com a partitura do compositor, que consegue fazer a música quase viver como uma personagem. Soberbo!
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sábado, fevereiro 16

40 por 40



Noites boas, como o prazer de rever a amizade da também pintora Dina Oliveira, que assinalou hoje 40 anos de vida com um jantar-exposição/venda de outros tantos desenhos da sua autoria, onde se nota que o avanço da idade só traz mesmo (também na arte e na sua prática) vantagens. Comida, bebida, artes e amigos. Boas misturas!
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sexta-feira, fevereiro 15

Notas Amigas


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quinta-feira, fevereiro 14

Muito (o) Que Contar

Voltarei a este assunto com mais detalhe, até porque o livro só sai em Abril próximo. Mas ver o grande, enorme e gigantescamente talentoso Henrique Antunes Ferreira a voltar às edições, aqui com os contos das suas memórias da guerra de Angola, é um prazer imenso. É quase tão bom quanto cumprir os nossos sonhos, isto de ver os nossos amigos e ídolos a materializar os seus...



"Remember, remember, the fifth of November..."